A Arte de Traduzir

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Posted by admin | Posted in Artigos | Posted on 25-07-2011

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Diferentes línguas refletem diferenças culturais, isto é, diferenças na forma de perceber e interpretar fatos do universo humano, na forma de estruturar o pensamento e, conseqüentemente, na forma de redigir. Essa diferenças devem ser levadas em consideração quando redigimos ou traduzimos para o inglês.

Conteúdo, disciplina e lógica são aspectos fundamentais na comunicação por escrito. O português da cultura brasileira, entretanto, é uma língua que muitas vezes soa bem quando apresenta uma idéia vaga, além de permitir uma maior flexibilidade na formulação das frases e ter uma tendência a usar frases mais longas do que o inglês. Pode-se observar até que o português facilmente tolera a falta de conteúdo e de disciplina na formulação das idéias. Esses vícios, que em português podem passar desapercebidos aos olhos de redatores e leitores, se transpostos para o inglês, resultam num texto insólito e inaceitável.

Os exemplos abaixo demonstram como não estruturar o pensamento e não redigir em inglês, constituindo-se em exemplos de tradução difícil, verdadeira dor de cabeça para tradutores:

Exemplo 1: Uso abundante de voz passiva

Ficou decidido que os débitos deverão ser saldados até o final do mês de novembro, a partir de quando então serão cobrados com juros e correção monetária. Os plantadores em débito serão visitados pelo pessoal de campo e serão avisados a respeito das novas determinações. (Relatório de reunião de empresa multinacional – 1990)

  • Quem decidiu?

A voz passiva consiste em trocar o sujeito e o objeto direto de posição. O objeto assume a posição do sujeito, enquanto que o sujeito assume o papel de agente da passiva, sendo que neste papel deixa de ser essencial à oração, ficando freqüentemente omitido. No português, o uso da voz passiva é extremamente comum. O tom vago de uma voz passiva sem agente, assim como um sujeito indeterminado, são características típicas do português. No inglês moderno, por outro lado, a voz passiva chega a ser quase proibitiva porque destoa em relação à necessidade de clareza e de presença de fatos, limitando-se seu uso a casos em que o agente da passiva é desconhecido, irrelevante ou subentendido.

Exemplo 2: Falta de clareza com abrangência excessiva e uso de palavras desnecessárias

A empresa conta com filiais e distribuidores em todo o mundo, atuando na área agrícola não apenas com o salitre, mas também com outros sais, fertilizantes solúveis e na área industrial. (Anuário Brasileiro do Fumo 1999)

  • Filial e distribuidor são muito diferentes. Quantos de cada?
  • “Em todo o mundo” é muito vago. Em quantos e quais países e/ou continentes? Não daria para ser mais específico?
  • O verbo “atuar” é muito vago. “Atuando na área agrícola” pode significar: plantando, processando, industrializando implementos, comercializando produtos agrícolas, prestando consultoria administrativa a fazendas-empresas. Qual deles? Não daria para ser mais específico?
  • Qual a diferença entre sais e fertilizantes? A que se destinam os sais? Não seria um uma sub-categoria do outro?
  • Existe fertilizante não-solúvel?
  • “e na área industrial”, o que, exatamente, significa?
  • Exemplo 3: Frase excessivamente longa com assuntos desconexos (run-on sentence)Em 1979, a SLC cedeu 20% do seu capital à John Deere, uma das maiores fabricantes de máquinas agrícolas do mundo, e foi aperfeiçoando sua colheitadeira que, de pequenas propriedades rurais da região Noroeste do Rio Grande do Sul, conquistou a América Latina, a América Central, a África e o mundo, sendo hoje comercializada em mais de 20 países. (Anuário Brasileiro da Soja 2000)
    • Assuntos relacionados a:
      • transferência de cotas de participação,
      • aperfeiçoamento técnico de produto e
      • expansão de mercado,
    • estão todos numa mesma frase. Além de representar uma idéia “pulverizada”, a conexão entre os 3 assuntos não está clara. Será que foi a transferência de cotas que permitiu o aperfeiçoamento do produto? E este teria sido responsável pela expansão das vendas? Ou a expansão das vendas teria sido resultado da atuação do novo acionista?

    • América Central faz parte da América Latina, não precisando ser mencionada.

    Exemplo 4: Complexidade em lugar de simplicidade, resultando em falta de clarezaAlém disso, a Fenasoja procura contribuir para atividades de cunho técnico, voltadas à evolução da infra-estrutura na produção, no beneficiamento e na industrialização. (Anuário Brasileiro da Soja 2000)

    Não seria mais simples e melhor dizer: “Além disso, a Fenasoja procura divulgar novas tecnologias de produção e processamento.”? Não estaríamos possibilitando ao leitor captar o mesmo conteúdo com menos esforço intelectual?

    Exemplo 5: Extrema falta de clarezaAo balancear os resultados da indústria fumageira, em 1992, podemos assinalar, nas cifras e nos quadros seguintes, bons resultados conseqüentes do esforço e da competência com que o setor enfrentou a difícil conjuntura interna recessiva e as significativas alterações do comércio internacional, decorrentes da assimilação dos mercados da Europa Oriental e da integração na economia mundial de importantes países asiáticos. (Perfil da Indústria do Fumo 1993 – ABIFUMO)

    VERSÃO EM PORTUGUÊS MAIS CLARO: A participação de países asiáticos (que países? além da China algum outro?) na economia mundial e a assimilação dos mercados da Europa Oriental (quem assimilou?) causaram significativas alterações no comércio internacional. A indústria fumageira soube enfrentar com esforço e competência estas alterações, bem como uma recessiva e difícil conjuntura interna. Isto podemos constatar nos resultados estatísticos da safra de 1992.

    INTERPRETAÇÃO MAIS PROVAVELMENTE CORRETA DO TEXTO: Por um lado, tivemos a entrada da China como concorrente no mercado internacional de fumo e uma economia recessiva e difícil no Brasil. Por outro lado, assistimos a um aumento do mercado internacional com a abertura dos mercados da Europa Oriental. A indústria fumageira soube, ao mesmo tempo, enfrentar as adversidades e se beneficiar das oportunidades. Isto podemos constatar nos resultados estatísticos da safra de 1992.
    Exemplo 6: Frase muito longa e lógica possivelmente invertida

      A Camil, que chegou a refinar óleo comestível, mas parou em dezembro de 97 com a entrada do óleo de girassol argentino com custo baixo, está projetando aumento na fabricação de óleo bruto, em razão da ampliação da capacidade de beneficiamento de arroz que a empresa está implantando.(Anuário Brasileiro do Arroz 2000)

    • Uma idéia demasiadamente longa encravada dentro de outra.
    • Está planejando aumento ou o reinício da produção de óleo, uma vez que já havia parado em 1997?
    • Qual a relação entre refino de óleo comestível e produção de óleo bruto?
    • Está planejando aumentar a fabricação em razão da ampliação da capacidade? Ou está aumentando a capacidade para poder fabricar mais e vender mais? Qual é que ocorre em razão de que?

    Exemplo 7: Conceitos vagosDesenvolvendo modernos sistemas de descasque, brunição e classificação de arroz, entre outros, a empresa consolida sua liderança no mercado nacional, além de exportar seus equipamentos para muitos países. (Anuário Brasileiro do Arroz 2000)

    • “entre outros”: o que, ou quais outros? Se fossem importantes, deveriam ter sido enumerados. Se não foram, provavelmente se trata de equipamentos insignificantes. Fica a impressão de que pode ter sido intencional provocar uma imaginação que fosse além do que a empresa realmente fabrica.
    • “para muitos países”: quais países, ou pelo menos que região? Europa, Ásia, não daria para ser mais específico?

    Exemplo 8: Conteúdo vago, falta de informações concretasForam definidas várias linhas de ação, começando pela matéria-prima, passando pelo processo industrial e mercado, até crédito e financiamento e certificação de qualidade. (Anuário Brasileiro do Arroz 2000)

    • Que ações serão tomadas com relação à matéria-prima?
    • Que ações com relação ao processo industrial e mercado? E as ações serão as mesmas com relação a ambos? Não daria para citar pelo menos a mais importante?
    • E com relação ao crédito e financiamento, o que será feito? Qual a diferença entre crédito e financiamento neste contexto?
    • Com relação a certificação de qualidade, se pensarmos duas vezes, possivelmente chegaremos à conclusão que a linha de ação será tentar obter alguma certificação. Seria melhor, entretanto, que esta informação estivesse explícita, para não exigir do leitor esse esforço adicional.

    Estas perguntas todas, consciente ou inconscientemente, pairam na mente do leitor atento. Quanto mais perguntas não respondidas, tanto maior a probabilidade do leitor se frustrar e abandonar a leitura.
    Exemplo 9: Conceitos demasiadamente abstratos, resultando em falta de clarezaO Seminário Estadual sobre os Conselhos Municipais de Desenvolvimento (CMDR) começa hoje, às 9h, na Universidade de Santa Cruz do Sul. Serão debatidos os processos de organização e capacitação de conselheiros municipais de desenvolvimento rural e a aproximação e articulação de ações entre entidades que atuam com os CMDR. (Correio do Povo, 19/7/2000)

    • Já existem “conselheiros municipais de desenvolvimento rural”? Provavelmente sim. Neste caso então não seria mais simples e mais claro dizer que irão “discutir sobre o treinamento dos conselheiros?.

    Exemplo 10: Emaranhado de conceitos abstratos resultando numa grave falta de clareza“Neste volume composto por nove artigos de pesquisadores brasileiros lingüistas aplicados reatamos o fio histórico da formação numa perspectiva de discussão teórica vinculada à pesquisa aplicada, ao serviço de preparação e aperfeiçoamento de quadros docentes na área da linguagem e à sociedade multifacetada, reivindicante e contraditória de hoje.” (Almeida Filho, J.C.P. O Professor de Língua Estrangeira em Formação. Campinas: Pontes Editores, 1999 – Capa)

    • “… reatamos o fio da história da formação …” Formação de quê? Formação de professores? Formação acadêmica ou prática? O fio da história estava interrompido? Este detalhe não merece esclarecimento? Não seria mais claro e fácil para o leitor se o redator tivesse dito simplesmente “continuamos a discussão sobre a formação …”
    • Se o Brasil é uma sociedade reivindicante, o que é que reivindica? Isto não merece um esclarecimento, já que foi mencionado? Seria uma reinvindicação relacionada à formação de professores?
    • O que é que o fato de o Brasil ser uma sociedade multifacetada, reivindicante e contraditória tem a ver com a continuação das discussões sobre a formação de professores de línguas?

    Exemplo 11: Frase excessivamente longa, sem pontuação, resultando em falta de clarezaNessas iniciativas aqui colecionadas avulta o sentido de desvendamento e interpretação do complexo trabalho do professor de línguas em serviço e pré-serviço que por representar basicamente um laboratório de idéias compartilhadas no bojo do Programa de Pós-Graduação em Lingüística Aplicada da UNICAMP em dez anos de atividades vai contribuir à teorização no campo de formação de professores. (Almeida Filho, J.C.P. O Professor de Língua Estrangeira em Formação. Campinas: Pontes Editores, 1999 – Página 10)

    • Idéia confusa, leitura indigesta devido ao excessivo número de palavras pouco necessárias, à falta de pontuação, e ao esforço intelectual exigido do leitor para assimilar o conteúdo.
    • Observem que o texto é composto de uma única frase, sem vírgulas e com 57 palavras!

    Exemplo 12: Conceitos vagos e complexidade desnecessária, resultando em falta de clareza e leitura difícil1. Objectivo estratégico I
    1.1. Valorização dos conteúdos temáticos e das áreas científicas de carácter humanístico, tradicionalmente definitórias da especificidade das Faculdades de Letras, pelo que se propõe o estudo das condições de criação de novas áreas de ensino de carácter transversal e pluridisciplinar que traduzam a referida valorização.
    (Faculdade de Letras – Universidade do Porto – Portugal – http://web.letras.up.pt/id/politica%20cientifica.htm – em maio de 2007)

    • O que será que o autor quis dizer com “conteúdos temáticos”? Não poderiam ter dito simplesmente: “Valorização da grade curricular das Faculdades de Letras”?

    Exemplo 13: Frase longa com idéias repetidasA Xxxx é uma das patrocinadoras do Prêmio Qualiescola desenvolvido pelo Instituto Qualidade no Ensino, entidade sem fins lucrativos. O projeto, voltado para iniciativas de incentivo à excelência do ensino público, promove premiações que visam valorizar experiências inovadoras desenvolvidas pelos professores na sala de aula com o objetivo de contribuir para o aprimoramento do ensino público brasileiro. (Brochura publicitária – maio 2010)

    Analisando detidamente a segunda frase, obtém-se as seguintes informações:

    1. O projeto incentiva a qualidade no ensino público.
    2. Para isso, o projeto dá prêmios para valorizar experiências inovadoras.
    3. O objetivo das experiências inovadoras (e das premiações) é contribuir para o aprimoramento do ensino público.

    No contexto acima, “incentivar a qualidade no ensino público” e “contribuir para o aprimoramento do ensino público” são a mesma coisa. Seria como dizer:

    • Com a finalidade de melhorar a limpeza de minha casa, vou pegar uma vassoura para fazer uma varredura, cujo objetivo (da vassoura e da varredura) é limpar minha casa.

    MINHA VERSÃO: A Xxx é uma das patrocinadoras do Prêmio Qualiescola desenvolvido pelo Instituto Qualidade no Ensino, entidade sem fins lucrativos. O projeto, voltado para iniciativas de incentivo à excelência do ensino público, promove premiações que visam valorizar experiências inovadoras desenvolvidas pelos professores na sala de aula com o objetivo de contribuir para o aprimoramento do ensino público brasileiro.

    ORIGENS DAS DIFERENÇAS

    Há quem diga que esta tendência no português de se ser vago, de se valorizar uma linguagem afastada dos fatos e maquiada pelas formas, é um hábito originado nos anos de regime militar, quando jornalistas tinham que informar mas tinham receio de se comprometer. A “liberdade vigiada” daqueles anos de regime de exceção exigia um subterfúgio, uma linguagem não-explícita, cuja mensagem ficasse por conta da capacidade de imaginação do leitor.

    Já outros acreditam serem as raízes mais profundas. Evocam o período colonial do Brasil, quando o trabalho que havia era responsabilidade da mão-de-obra escrava, e a classe letrada dedicava muito tempo burilando textos que valorizavam a estética e o subjetivismo, num mundo que ainda se comunicava muito através da literatura.

    Outros vão mais longe ainda. Afirmam que, há mais de 20 séculos, diferenças sociais e culturais já marcavam contrastes. Enquanto o Império Romano da língua latina mantinha seu apogeu pela força militar, permitindo a existência de classes eruditas que podiam se dedicar às artes e às letras, quando meio século antes de Cristo o orador Cícero já se dedicava à crítica literária e ao estudo de retórica e o poeta Virgílio destilava seu lirismo profetizando com eloqüência o destino de Roma no mundo; àquela época os povos bárbaros de línguas germânicas encontravam-se ou guerreando ou trabalhando para sobreviver e pagar os impostos ao Império, sem tempo para as artes, e usando uma linguagem de comunicação clara e objetiva, sintonizada em fatos concretos e nos afazeres do dia-a-dia.

    Seja qual for a origem, o fato é que hoje, em pleno alvorecer da era da informação, num mundo que se transforma numa comunidade cada vez mais interdependente e que se comunica cada vez mais, tendências idiomáticas contrastantes representam um empecilho para ambos os lados. Nunca o mundo se comunicou tanto, nunca o tempo foi tão curto para tanta informação, e portanto nunca a objetividade na linguagem foi tão importante.

    TEXTO, IDÉIA, INTENÇÃO E TRADUÇÃO

    Assim como não há sombra se não houver um objeto, não existe linguagem se não houver uma idéia. Quanto mais distante estiver a sombra de seu objeto, tanto menor sua nitidez. Da mesma forma, quanto mais distante estiver a linguagem de sua idéia, tanto menor sua clareza.

    Uma vez que diferentes línguas são diferentes sistemas de representação, não podemos simplesmente converter palavras de uma língua para palavras de outra. Para se estabelecer uma boa correlação entre duas línguas é necessário captar a idéia com clareza e de forma completa, ter um entendimento claro e objetivo dos fatos que a compõem e que a linguagem procura refletir. Portanto, o texto que se pretende traduzir deve oferecer esse entendimento de forma clara e objetiva, não podendo carecer de conteúdo. O quadro deve estar completo, sem áreas obscuras.

    Redigir, portanto, é a arte de criar uma representação de fatos do universo e traduzir é a arte de recriar esta representação; de reestruturar a idéia nas formas que a língua para a qual se traduz oferece e sob a ótica da cultura ligada a essa língua. É, pois, no plano das idéias e não das formas, que a correlação pode ser estabelecida. Se a representação da realidade nas formas da L1 não refletir claramente os fatos a que se refere, especialmente em textos não-literários, isto é, em textos comerciais, técnicos, jornalísticos, acadêmicos, o tradutor sentir-se-á como um redator que não conhece plenamente o fato a respeito do qual deve redigir. Estará perdido como um cego que perde seu cachorro-guia. Se a intenção do autor não estiver clara, o tradutor será um barco sem rumo.

    COLABORAÇÃO: Jorge Cunha, Sílvio Corrêa e Amoretti
    REFERENCE: Wallbank, T. Walter, Alastair M. Taylor and Nels M. Bailkey. Civilization Past and Present. Scott, Foresman & Co., 1962.

    Fonte: Site SK
    Autor: Ricardo Schutz

  • O que significa saber vocabulário?

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    Posted by admin | Posted in Artigos | Posted on 25-07-2011

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    O que significa saber vocabulário?

    Quando fala-se em vocabulário ou em palavra, é necessário entendermos os vários aspectos que o conceito abrange, como mostra o gráfico ao lado. A distinção entre forma oral e escrita é de importância maior no caso de uma língua como inglês, cujo grau de correlação entre pronúncia e ortografia é notoriamente baixo.

    Também a distinção entre significado e função gramatical é fundamental no caso do inglês, devido à grande quantidade de palavras que exibem a mesma forma e significado equivalente, podendo entretanto ocorrer com diferentes funções gramaticais. Exemplo disto são aquele grande número de palavras que funcionam tanto como substantivo quanto como verbo, tais como: work, study, drink, walk, etc.

    QUE SIGNIFICA “SABER VOCABULÁRIO”?

    Assim como não é a quantidade de cores que determina a beleza de um quadro, não é o número de palavras que influencia o nosso poder de comunicação.

    Embora pareça natural ao leigo relacionar domínio sobre uma língua com quantidade de vocabulário, não existe no âmbito da lingüística aplicada teoria equacionando habilidade em línguas com conhecimento de vocabulário. Nem habilidade nem conhecimento teórico em língua estrangeira podem ser medidos pelo número de palavras que a pessoa “sabe”.

    Em primeiro lugar, devemos investigar o significado de “saber”, de “ter” ou de “conhecer” vocabulário. Saber uma palavra significaria apenas reconhecê-la quando a vemos, ou seria mais do que isso: dispor dela para expressarmos nossos pensamentos? Bastaria o conhecimento passivo, ou esse conhecimento teria que ser ativo? E bastaria reconhecê-la na sua forma escrita, ou teríamos que ter também a habilidade de reconhecê-la na sua forma oral? E se a reconhecêssemos na sua forma oral, seria o bastante reconhecê-la quando pronunciada isoladamente e claramente, ou teríamos que ter a habilidade de reconhecê-la quando pronunciada dentro de uma frase em velocidade normal de conversação, às vezes em meio a outros ruídos?

    Por aqui já poderíamos concluir que a maioria de nós não tem um conceito claro do significado de “saber uma palavra”. Entretanto, existem ainda muitos outros argumentos para demonstrar que não se mede conhecimento nem fluência em línguas pelo número de palavras que se “sabe”.

    • Como classificaríamos por exemplo uma palavra como o verbo ficar do português ou o verbo take do inglês, para os quais podemos facilmente encontrar uma dezena de significados? Saber apenas um ou dois dos significados seria “conhecer” o verbo?
    • E mesmo que tivéssemos pleno conhecimento, passivo e ativo, sobre a forma escrita e oral de palavras como por exemplo o adjetivo large e o substantivo lie, porém não soubéssemos que a combinação de ambos (*large lie) não ocorre jamais, como classificaríamos a situação?
    • Na hora de contabilizar os vocábulos que conhecemos, palavras como sofismardobradiça teriam o mesmo peso que bebercasa? Até que ponto o fato de talvez não sabermos como se diz dobradiça em inglês pode comprometer nossa fluência? A contagem deve levar em consideração que algumas palavras têm uma probabilidade de ocorrência dez ou vinte vezes maior do que outra?
    • Se soubermos por exemplo que give significa dar, e que a preposição in corresponde a em, porém se não soubermos que give in significa ceder ou que give up significa desistirou abandonar, como fica nossa contabilidade?
    • Finalmente, o que faríamos nesta contagem com partículas funcionais como preposições e artigos, praticamente desprovidas de conteúdo semântico, especialmente quando comparadas a verbos e substantivos?

    Podemos concluir, portanto, que é praticamente impossível quantificar vocabulário, e podemos também inferir que habilidade (fluência) em línguas não está diretamente relacionada a simples familiaridade com vocabulário.

    Só a estruturação gramatical da língua, isto é, a forma como o pensamento é estruturado, já é tão ou mais importante do que seu vocabulário. Uma coleção de palavras nunca chegará a formar uma língua. São necessárias as regras do jogo além das peças.

    Línguas são fenômenos complexos que incluem também fonética, morfologia, sintaxe, cultura, etc. “Linguagem é um sistema de representação cognitiva do universo pelo qual as pessoas constroem suas relações”, como colocou uma freqüentadora do nosso site. Sistema esse, moldado pela identidade cultural de cada nação.

    Assim como não é o número de páginas que determina a qualidade de um livro, nem a quantidade de cores que determina a beleza de um quadro, não é o número de palavras que influencia diretamente o nosso poder de comunicação.

    Se fosse possível quantificar conhecimento sobre vocabulário, poderíamos nos arriscar a dizer que plena proficiência em um idioma estrangeiro, ou seja, fluência, depende 80/90% de pronúncia, 70/80% de gramática e talvez 10/20% de vocabulário (apenas 5% segundo Hammerly, considerando-se todas as palavras existentes no dicionário).

    Portanto, habilidade em línguas não está diretamente relacionada simplesmente a familiaridade com vocabulário e, por esta razão, vocabulário não deve ser colocado como a grande prioridade durante a fase inicial do aprendizado. Vocabulário tende a ser mais facilmente assimilado à medida em que o aprendiz familiariza-se com a estrutura gramatical da língua e mais corretamente assimilado à medida em que se familiariza com a pronúncia da língua. Além disso, o ensino de vocabulário não deve ser predeterminado e dirigido, mas sim deve seguir um desenvolvimento naturalmente direcionado aos interesses do aprendiz e que progride na medida em que há contato com a língua em situações reais de comunicação.

    PALAVRA x LOCUÇÃO
    WORD vs. LEXICAL PHRASE

    “Vocabulary has been traditionally thought of as individual words. Of course, this layman’s view is inadequate because vocabulary includes many units which are larger than individual orthographic words.” Norbert Schmitt & Ronald Carter

    Lexical phrases, também denominadas word combinations, collocations ou lexical chunks, são grupos de palavras que aparecem freqüentemente juntas e que adquiriram identidade e significado próprios. Do ponto de vista do aprendizado de línguas estrangeiras, e dentro de uma visão lingüística comunicativa-funcional, o conceito de lexical phrase como sendo a unidade de vocabulário é fundamental, pois leva o aprendiz a concentrar atenção em elementos conceituais que constituem a estrutura do discurso, mantêm sua coerência e caracterizam aspectos culturais.

    Exemplos em portuguêsbom dia / com licença / você é que sabe / por esta razão / pessoa jurídica.
    Exemplos em inglêsgood morning / it’s up to you / what I’m trying to say / as far as I’m concerned.

    É importante portanto prestar atenção à indivisibilidade de certos grupos de palavras, dissociando-se a unidade léxica da unidade ortográfica demarcada por espaços.

    SEMELHANÇAS

    There are an estimated 750,000 words in the English language. Nearly half of these are of Germanic (or Teutonic) origin, and nearly half from the Romance languages (languages of Latin origin such as French, Spanish, and Italian or Latin itself). Excerpted from Compton’s Interactive Encyclopedia.

    “From a lexical point of view, English is in fact more a Romance than a Germanic language.” David Crystal, in English as a Global Language. Cambridge University Press, 1997.

    No caso de alunos brasileiros, o problema de vocabulário é reduzido por ser o português uma língua latina e por ter o inglês cerca de 50% de seu vocabulário proveniente do latim. É principalmente no vocabulário técnico e científico que aparecem as maiores semelhanças entre as duas línguas, mas também no vocabulário cotidiano encontramos palavras que nos são familiares. Por exemplo: aspect, company, computer, contrast, creative, dictionary, exam, government, history, human, important, influence, interesting, justice, liberty, license, method, modern, music, necessary, oficial, origin, photograph, production, project, pronunciation, revolution, student, supermarket, telephone, vocabulary, etc., são palavras que brasileiros entendem sem saber nada de inglês. Leia mais sobre a influência do latim e do francês sobre o inglês em História da Língua Inglesa.

    CONTRASTES

    É importante dar-se conta, entretanto, de que vocabulário não limita-se a palavras. Também devem ser vistas como elementos de vocabulário as locuções idiomáticas (idioms), e muitas das frases usadas para expressar idéias comuns em situações cotidianas. Os maiores contrastes de vocabulário entre inglês e português (e conseqüentemente as maiores dificuldades) ocorrem justamente neste aspecto coloquial dos idiomas.

    False cognates (falsos cognatos) também representam uma dificuldade peculiar no plano de vocabulário. Às vezes chamados de falsos amigos, falsos cognatos são palavras derivadas do latim, que têm portanto a mesma origem e que aparecem em diferentes idiomas com ortografia semelhante, mas que ao longo dos tempos acabaram adquirindo significados diferentes. Poderíamos relacionar pelo menos uns 30 falsos cognatos relevantes pela freqüência com que ocorrem, e com os quais portanto o aluno deve procurar familiarizar-se.

    Os verbos make, do, takeget, verdadeiros “curingas” ou “paus para qualquer obra”, equivalentes aos verbos ficarfazer do português, são responsáveis por um grande número de expressões com característica idiomática, e representam uma notória dificuldade. Um aluno de nível intermediário deve buscar adquirir familiaridade com as ocorrências mais comuns destes verbos.

    Outro tipo de formas idiomáticas em inglês são os multi-word verbs, também chamados de phrasal verbs (verbos preposicionais, em que a adição de uma palavra (normalmente uma preposição) altera substancialmente o significado original do verbo. Também aqui o domínio de um certo número, talvez cerca de 20 ou 30 destas expressões, atende as necessidades mesmo de quem se propõe a alcançar um bom nível de proficiência em inglês.

    Outra dificuldade, raramente focalizada em livros de ensino e cursos de inglês, é a questão da ambigüidade léxica, ou multi-meaning words (palavrasde múltiplo sentido). Em qualquer idioma sempre existem palavras que assumem diferentes significados. Quando isto ocorre com a língua estrangeira, no nosso caso com o inglês, a dificuldade é menor do que quando ocorre com a língua materna. São inúmeras as palavras de significado múltiplo em português, e freqüentemente este múltiplo sentido não tem correspondente em inglês. Sempre que diferentes idéias representadas pela mesma palavra na língua materna corresponderem a diferentes palavras na segunda língua, o aluno terá dificuldades em expressar-se.

    ORIENTAÇÕES

    Sempre que o aluno aprender uma nova palavra ou expressão, deve procurar assimilar não apenas o significado, a função gramatical na frase e a ortografia, mas também (e principalmente) a pronúncia da palavra.

    O desenvolvimento do vocabulário da pessoa é fruto direto do contato com a língua, tanto falada como escrita. Para níveis intermediários e avançados, a leitura é especialmente recomendada, pois proporciona o desenvolvimento de vocabulário principalmente para termos literários, técnicos e científicos. Também é recomendável, assim que possível, fazer uso de dicionários monolíngües. Além disto, o contato com estrangeiros, filmes e gravações em geral servem como fonte de vocabulário, em especial do tipo coloquial. Filmes falados e legendados em inglês (closed caption) são ótimos. A atitude ideal para desenvolver-se vocabulário não é a de armazenamento forçado na memória, mas sim a de esforço criativo para expressar-se e exercício constante de relembrar o que já foi aprendido. Isto porque o fundamental não é apenas reconhecer (vocabulário passivo), mas dispor de palavras no momento em que se expressa (vocabulário ativo).

    Os materiais apresentados aqui nesta seção não estão na forma de plano de aula; são apenas materiais de referência para consulta, e úteis na elaboração de planos de aula. These materials are not lesson plans. They are mainly “resource” type materials.

    Fonte: Site SK

    Autor: Ricardo Schutz

    OS FONEMAS VOGAIS DO INGLÊS E DO PORTUGUÊS

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    Posted by admin | Posted in Artigos | Posted on 19-07-2011

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    FONOLOGIA

    Cada língua faz um uso diferente do aparelho articulatório, e fonologia é o estudo das características fonéticas da língua, em especial de sua matriz de fonemas.

    O que é um fonema?
    Fonema é a unidade mínima de som da língua que diferencia palavras entre si.

    Exemplo 1:
    /pIt/ pit /bIt/ bit são palavras diferentes, com significados diferentes, cuja única distinção fica por conta da consoante bilabial.  Portanto, /p//b/ são fonemas diferentes em inglês.

    Coincidentemente, a consoante bilabial também é articulada de formas diferentes para produzir dois fonemas diferentes (ex: picobico).

    Exemplo 2:
    /biyt/ beet /bIt/ bit são também palavras diferentes, com significados diferentes, cuja única distinção fica por conta da maneira de articular essas duas vogais altas-frontais.  Portanto, /iy//I/ são fonemas diferentes em inglês.

    Em português, entretanto, existe apenas uma vogal alta-frontal, como por exemplo nas palavras vidalinda.  Qualquer variação no grau de altura ou frontalidade desta vogal, será percebida simplesmente como variações do mesmo fonema.

    Conclusão:
    Diferentes línguas possuem fonemas diferentes, em qualidade e número.  Em outras palavras, diferentes línguas fazem uso de matrizes fonológicas diferentes.

    No início, o aprendiz vai perceber os sons da língua estrangeira como sendo semelhantes aos sons da língua materna.  Sem a devida orientação, irá basear sua pronúncia num modelo acústico intermediário entre os sons das duas línguas, ao invés de baseá-la no modelo acústico específico da língua estrangeira, assim como ocorre no aprendizado da língua materna.  Em outras palavras, o aprendiz criará e assimilará sua própria versão de matriz fonológica, caracterizando seu “sotaque”.


    Os dialetos usados nesta análise fonológica de vogais são o inglês norte-americano e o português do Brasil e, quando aqui falamos de vogais, estamos nos referindo aos sons e não às letras do alfabeto.  Ou seja, estamos falando de pronúncia e não de ortografia; de fonemas e não de grafemas.  Por exemplo, nas palavras do português temos dois fonemas vogais diferentes.

    VOGAIS

    Vogais são sons da fala humana produzidos por um fluxo de ar contínuo, acompanhado de vibração das cordas vocais.  O que diferencia uma vogal da outra, na maioria das línguas, não é a intensidade nem a freqüência, mas o timbre.  Diferentes timbres são produzidos pelo posicionamento da língua na boca, que muda a forma da cavidade bucal.  Sons vogais variam portanto de forma contínua, podendo ser produzidos por um número praticamente infinito de posições intermediárias da língua dentro da cavidade bucal.

    Em línguas menos compactas, com menor ocorrência de palavras monossilábicas e com uma média superior de sílabas por palavra, o número de fonemas não precisa ser tão grande e a diferença entre cada vogal pode ser maior.  Este é o caso do espanhol (5 fonemas vogais) e do português (7 fonemas vogais).  O inglês, entretanto, é uma língua notadamente econômica no uso de sílabas, compacta, com um grande número de palavras monossilábicas.  Isto naturalmente exige um número maior de fonemas vogais para atender a essa maior “demanda” de um sistema com um número reduzido de combinações possíveis.

    Em sistemas fonológicos com um grande número de fonemas vogais, a diferença entre cada um tende a ser mínima, o que exige uma maior acuidade auditiva de parte dos falantes dessa língua tanto no reconhecimento quanto na produção oral.  O problema é agravado pelo fato de que não existem delimitações claras e precisas entre vogais.  No estudo da fonologia, a descrição e a classificação das consoantes é muito mais fácil.  Um som pode ser uma oclusiva ou uma fricativa, mas dificilmente poderá ser classificado como algo intermediário.  É perfeitamente possível, entretanto, produzir sons intermediários entre uma vogal alta e uma média.  Portanto, este talvez seja o maior e mais persistente problema não apenas para estudantes de inglês como língua estrangeira que falam português ou espanhol como língua materna, mas para todos aqueles cujas línguas não possuem um número tão grande de vogais dentro do espectro vocálico quanto o inglês.

    O número de vogais com relevância fonêmica em uma língua é portanto um fator determinante do grau de dificuldade em se obter proficiência oral e uma boa pronúncia.  Embora neste trabalho tenhamos identificado apenas onze vogais para o inglês norte-americano, Mazurkiewicz (69) relacionou pelo menos quinze vogais, ao passo que D’Eugenio encontrou ainda mais:

    “É notório o fato de que o inglês é rico no número de vogais, contendo nada menos do que vinte fonemas vocálicos (doze vogais puras e oito ditongos)” (54, minha tradução).

    Considerando a anatomia do sistema articulatório humano que produz a fala, suas limitações, e considerando o fato óbvio de que não existem diferenças fisiológicas no aparelho articulatório entre pessoas de diferentes nacionalidades, podemos concluir que todos os sons vogais, de todos os idiomas possíveis, recairão sobre o mesmo espectro (veja figura abaixo) e que as diferenças entre um fonema e outro próximo poderão chegar ao limite da perceptibilidade da audição humana.

    Portanto, quanto maior for o número de vogais de uma determinada língua, tanto menor e mais sutil será a diferença entre elas.  Desta forma, torna-se muito difícil manter uma distinção clara entre vogais dentro de um inventário tão repleto de fonemas (como no inglês) e, ao mesmo tempo, produzido por um aparelho articulatório tão limitado.  Em primeiro lugar, este é um problema que afeta a assimilação da língua materna, fazendo com que a criança leve mais tempo até conseguir distinguir todas as vogais.  Em segundo lugar, e com maior insistência, o estudante de língua estrangeira será afetado, principalmente quando a língua materna tiver um número de vogais menor do que o número de vogais da língua estrangeira. Da mesma forma que falantes nativos de espanhol exibem uma notória dificuldade em distinguir as vogais do português nas palavras pé, vô, também nós que temos o português como língua materna, temos dificuldades evidentes em distinguir determinadas vogais do inglês, como será mostrado abaixo.

    NASALIDADE: Uma questão a ser analisada no estudo da fonética, é a nasalidade.  A nasalidade é produzida pelo rebaixamento parcial de uma membrana chamada palato mole ou véu palatino, de maneira que nas vogais, parte do fluxo de ar passa através da cavidade nasal, a qual funciona então também como câmara de ressonância.  Isto altera o som apenas pelo fato de acrescentar uma característica nova, deixando as demais características da vogal inalteradas.

    O português é notório pela forte nasalidade que o caracteriza.  Em alguns dialetos, esta nasalidade pode adquirir relevância fonêmica (não apenas fonética) e uma análise fonológica minuciosa da língua vai identificar pelo menos 3 fonemas vogais nasais além dos relacionados neste estudo, como demonstram os seguintes pares mínimos:

    lá – lã
    pau – pão
    pais – pães

    O fato de o português (assim como também o francês e o polonês) fazer largo uso da nasalidade reforça o argumento aqui apresentado.  Por um lado, a nasalidade do português representa uma dificuldade para aprendizes estrangeiros, se constituindo em mais um elemento causador de interferência e sotaque.  Por outro lado, a nasalidade do português em nada ajuda seus falantes nativos em seu aprendizado de línguas estrangeiras.  Pelo contrário, os aprendizes brasileiros de inglês, enfrentam uma dupla dificuldade: eliminar a nasalidade ao mesmo tempo em que enfrentam o desafio de assimilar um sistema com um número maior de vogais cuja única característica diferenciadora são as mínimas diferenças no posicionamento da língua.

    TENSÃO: É outra característica diferenciadora na articulação de sons vogais que merece atenção.  Produzida pela tensão dos músculos articuladores, é uma característica que pode ser observada em 4 das vogais do inglês, enquanto que inexistente em português.  Representa portanto uma probabilidade adicional de sotaque estrangeiro, tanto para aprendizes brasileiros de inglês como para falantes nativos de inglês que aprendem português como língua estrangeira.

    PROVÁVEIS ERROS COM VOGAIS:

    Estes são provavelmente os erros mais comuns com as vogais do inglês de estudantes cuja língua materna é português.

    A) O primeiro problema, e talvez o mais evidente deles, ocorre na área das vogais anteriores altas.  Os fonemas /iy/ e /I/ do inglês muito provavelmente serão percebidos e reproduzidos como /i/ do português, neutralizando portanto o único contraste entre palavras como:

    beach /biytsh/ – bitch /bItsh/
    bead /biyd/ – bid /bId/
    beat /biyt/ – bit /bIt/
    cheap /tshiyp/ – chip /tshIp/
    eat  /iyt/ - it /It/
    feel /fiyl/ - fill /fIl/
    feet /fiyt/ - fit /fIt/
    green /griyn/ - grin /grIn/
    heat /hiyt/ – hit /hIt/
    heel /hiyl/ – hill /hIl/
    lead /liyd/ – lid /lId/
    leap /liyp/ – lip /lIp/
    least /liyst/ – list /lIst/
    leave /liyv/ – live /lIv/
    meal /miyl/ – mill /mIl/
    neat /niyt/ – knit /nIt/
    peel /piyl/ - pill /pIl/
    reach /riytsh/ – rich /rItsh/
    scheme /skiym/ – skim /skIm/
    seat  /siyt/ - sit /sIt/
    seek  /siyk/ - sick /sIk/
    sheep /shiyp/ – ship /shIp/
    sheet /shiyt/ – shit /shIt/
    sleep /sliyp/ – slip /slIp/
    steal /stiyl/ – still /stIl/
    wheel /wiyl/ – will /wIl/
    Uma vez que os fonemas /iy/ e /I/ do inglês têm uma carga funcional muito ampla, isto é, ocorrem com muita freqüência como único
    elemento diferenciador, qualquer neutralização nesta área pode representar um sério problema.

    B) Outro problema de provável ocorrência situa-se na área dos fonemas /æ/ e /e/ do inglês.  Ambos serão percebidos como /é/ do português, cuja posição de articulação é intermediária, um pouco mais próxima de/e/ do que de /æ/.  Este desvio neutraliza o contraste entre palavras como:

    lend /lend/ - land /lænd/
    men /men/ - man /mæn/

    met /met/ - mat /mæt/
    pen /pen/ - pan /pæn/
    said /sed/ - sad /sæd/
    send /send/ - sand /sænd/
    shell /shel/ - shall /sæl/
    then /ðen/ - thanæn/

    C) A vogal média-central neutra /ə/ do inglês, especialmente quando tônica, não têm equivalente em português, o que significa possibilidade de erro fonológico em palavras como but /bət/rubber /'rəbər/.
    Também a forma reduzida e atônica deste fonema, denominada “xevá” ou “xuá”, (de alta ocorrência no inglês), representa uma notória dificuldade mesmo a longo prazo.  Isto porque no português vogais atônicas não são reduzidas e neutralizadas como em inglês.  É muito provável que o aluno brasileiro venha a ser influenciado pela ortografia neste caso.  A palavra photographer, por exemplo, poderá vir a ser pronunciada /fô'tógrafêr/em vez do correto /fə'tagrəfər/.

    D) Brasileiros encontrarão dificuldade para distinguir entre os sons de /a/ e /o/ do inglês.  Na maioria das vezes /a/ será percebido como /ó/ do português.  Este problema é agravado pelo fato de que o fonema/a/ do inglês é muitas vezes representado na ortografia pela letra “o”, a qual freqüentemente corresponde, em português, a /ó/, como na palavra .  Sendo /ó/ do português muito parecido com /o/ do inglês, como por exemplo na palavra law, haverá possibilidade de erro fonológico, como nos seguintes exemplos:

    collar /'kalər/ - caller /'kolər/
    cot /kat/ - caught /kot/
    are /ar/ - or /or/

    E) Outra área de notória dificuldade para brasileiros é a das vogais posteriores altas.  O fonema /u/ do português tem uma posição de articulação intermediária e conseqüentemente um som exatamente intermediário entre /U//uw/ do inglês.  O resultado disto é que estes fonemas serão percebidos e reproduzidos como /u/, neutralizando portanto o único contraste entre palavras como:

    FRASES-MODELO PARA PRONÚNCIA DE VOGAIS

    Decorar com pronúncia correta um modelo contendo todas as vogais do inglês, pode ser de grande valia para o aluno de inglês. As frases abaixo constituem-se excelentes modelos de pronúncia de vogais.

      • ee bit Ray’s best hat. – O Lee mordeu o melhor chapéu do Ray.
        /iy//I//êy/ /e//æ/
        Stew pushed Joe off the cot. – O Stew empurrou o Joe para fora da cama de campanha.
        /uw//U/  /ôw//o/ /ə//a/
    • She is    acing ten classes using the books and notes always honestly.
      /iy//I//êy/ /e/ /æ/ /uw/  /ə//U/     /ôw/ /o/    /a/
      Ela está fazendo com perfeição dez matérias usando os livros e as anotações sempre honestamente.
    Além de portarem o inventário completo de fonemas vogais do inglês, as frases acima os colocam em escalas variando da posição frontal-alta para frontal-baixa no primeiro exemplo, e de posterior-alta para média-baixa no segundo exemplo. A pessoa que tiver decorado totalmente as frases acima, com pronúncia exata, terá sempre à sua disposição a matriz completa das vogais do inglês.Também úteis são frases curtas que contrastam sons vogais próximos e facilmente confundidos e neutralizados pelo aluno. Veja os seguintes exemplos:

      Please, sit in this seat. – Por favor, sente-se neste assento.
      /iy/ /I//I//I//iy/
      The gem fell in the jam.- A pedra preciosa caiu na geléia.
      /e/ /e/     /æ/
      Pull me out of the pool. – Puxe-me para fora da piscina.
      /U/            /uw/
    Fonte: Site Sk
    Autor Ricardo Schutz

    Ministro investe em aulas de inglês e qualificação para receber Copa

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    Posted by admin | Posted in Artigos | Posted on 19-07-2011

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    Ministro investe em aulas de inglês e qualificação para receber Copa

    O ministro do Turismo, Pedro Novais, afirmou em entrevista aoTerra que o governo brasileiro apostará na qualificação de cerca de 1 milhão de prestadores de serviço para receber com qualidade os turistas que chegarão no País para receber a Copa do Mundo.

    “O número de prestadores de serviços turísticos é de 7,2 milhões de pessoas. Até a Copa chegaremos a 9 milhões. Nas cidades sede da Copa de 2014 é de 680 mil e tentamos chegar a 1 milhão. Para isso nós temos duas linhas de ação”, disse Novais.

    “O primeiro é um programa chamado ‘Bem Receber Copa’. Destes 680 mil nas cidades sede, pretendemos qualificar 306 mil. Além disso, existe um programa de treinamento com o Senac para as pessoas que tem o interesse de entrar nessa cadeia de Turismo. A entidade promete qualificar até o fim da década o total de 1 milhão de projetos. Entram atendentes de hotéis, recepcionistas, pessoas que trabalham no transporte, concierges, garçom, camareira, enfim todos que trabalham na cadeia turística. A segunda linha é um convênio em andamento com a Fundação Roberto Marinho que ensina inglês e espanhol a 80 mil pessoas”, completou.

    Segundo Novais, outra medida que será importante é a classificação dos hotéis que será instituída ainda neste mês. “A classificação da rede hoteleira foi feita com o maior critério possível, nós estudamos o tratamento que é dado a este item em 24 países e chegamos a uma média, que consideramos a melhor e a mais adequadas. Os hotéis do Brasil vão se alinhar com os do mundo inteiro. Ela é criteriosa e entrará em funcionamento a partir do próximo dia 21″.

    De acordo com o ministro do Turismo, os hotéis entenderam a importância desta nova classificação. “O empresariado entendeu que ele é necessário para garantir uma melhor competitividade no setor e garantir que o usuário tenha uma boa hospedagem e receba por aquilo que pagou…Ninguém mais vai poder usar aleatoriamente e à sua vontade o símbolo estrela”.

    Para fiscalizar os hotéis, Novais ressalta que já existe um plano em funcionamento. “Nós temos o instituto da reclamação e nós adotaremos a atitude necessária quando chegarem as reclamações. Os passos principais são cancelar o cadastro daquele servidor que é relapso, dar uma advertência ou fazer o encaminhamento do usuário para o Procon”.

    Falhas

    Apesar da preocupação com a melhoria no serviço do atendimento aos turistas, o ministro do Turismo admitiu que o governo brasileiro ainda falha na hora de pegar as opiniões dos turistas que visitam o País. “O ministério não tem uma ação efetiva nesta área, mas terá em breve”.

    Novais concordou ainda com as críticas em relação aos aeroportos brasileiros. Apesar de não ter uma ligação direta com este setor, o ministro crê que as medidas tomadas pela presidente Dilma Rousseff serão positivas para mudar esta situação.

    “É evidente que existem alguns gargalos nos aeroportos do Brasil, mas tenho certeza que as medidas adotadas pela presidente Dilma neste setor devem ajudar nesta questão”.

    Fonte: Terra

    Razões porque as pessoas muitas vezes detestam as aulas de inglês convencionais

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    Posted by admin | Posted in Artigos | Posted on 23-06-2011

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    Razões porque as pessoas muitas vezes detestam as aulas de inglês convencionais
    Pronúncia Incorreta e Erros ao Falar = salas de aula convencionais com vários alunos o expõem aos erros dos outros de pronúncia, gramática e vocabulário. Imagine passar um mês morando na favela, pelo convívio com pessoas de baixa instrução seu português será afetado pelos mesmos embora seja sua língua nativa. Imagine o efeito de algo semelhante em uma segunda língua.
    Repetição de frases = Muitas escolas fazem os alunos repitam incansavelmente frases prontas.
    Leitura de textos engessados = Quase todas as escolas usam os mesmos materiais, porquê? Torna o trabalho delas mais fácil e não requer preparação. Embora não seja inerente aos necessidades do aluno
    Foco em pronúncia = Muitos professores não nativos ignoram este tópico constantemente por que sua própria pronúncia é ruim.
    Soluções para melhorar o seu inglês:
    Ao invés de ficar 2 horas sentado, repetindo frases como um robô.
    Faça aulas de conversação com um professor nativo.
    Ao invés de ler um livro de texto convencional e chato, leia algo interessante e inerente as seus gostos.
    Ao invés de memorizar regras gramaticais, ouça e leia. É a única maneira de aprender de uma forma natural.
    fonte = antimoon

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    fonte = antimoon

    creator = graur razvan ionut

    Executivos Sêniors em Perigo!!!

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    Posted by admin | Posted in Artigos | Posted on 28-05-2011

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    O mercado de trabalho brasileiro tem mudado a cada dia em virtude da globalização e da chegada de novas gerações ao mundo corporativo.

    Um interessante fato está ocorrendo em grandes multinacionais: Executivos Sêniors tem perdido cada vez mais seus postos de trabalho para executivos jovens em virtude dos mesmos não apenas estarem mais antenados com as inovações presentes no globo, mas também devido a sua fluência na língua inglesa. Fator decisivo para aqueles que trabalham em um mercado cada vez mais globalizado.

    Os mais velhos certamente se sentem deslocados e uma posição um pouco desconfortável em relação aos mais jovens no quesito domínio do inglês.

    Para os desacreditados ainda existe tempo para correr atrás do prejuízo. Existem inúmeros casos de idosos que surfam, pulam de paraquedas, formam-se em universidades, então porque não aprender inglês?

    Reportagem: Fluência em inglês pode aumentar em até 111% o salário

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    Posted by admin | Posted in Artigos | Posted on 19-03-2011

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    Inglês para Empresas

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    Posted by admin | Posted in Artigos | Posted on 02-11-2010

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    dificuldade-de-aprendizagem

    Inglês para Empresas

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    A Inglês Para Empresa possui professores nativos altamente gabaritados no quesito corporativo para melhor atendê-lo. As aulas

    podem ser ministradas em qualquer local de sua preferência facilitando a vida do executivo que não dispoe de tempo mais busca um aprimoramento rápido, dinâmico e eficaz.

    O que considerar ao procurar aulas particulares de inglês?

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    Posted by admin | Posted in Artigos | Posted on 21-10-2010

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    O que considerar ao procurar aulas particulares de inglês?

    - Se o instrutor é nativo ou não, se não for exija profissionais formados e com anos de experiência. Lembre-se não é por que alguém morou no exterior que está capacitado a ensinar.

    - Desconfie de professores que cobram muito barato, se o profissional não valoriza o seu trabalho deve ter algo errado.

    - Leve em consideração se o professor possui bagagem corporativa, quando se trata de inglês para negócios isto é de suma importância.

    - Descarte escolas e profissionais que prometem resultados milagrosos como aprenda inglês em 3 meses ou aprenda inglês dormindo. Isso seria a mesma coisa que forme-se cirurgião plástico por correspondência.

    - Professores com muitos horários disponíveis, podem não ser os melhores. Profissionais talentosos sempre são muito requisitados.

    - Evite também aqueles que dizem eu ensino como um bico, para ganhar um extra, pois os mesmos estão comprometidos com o dinheiro e não qualidade. Ache um professor que ame sua profissão.

    - Professores nativos costumam cobrar mais caro, mas também agregam outros fatores a aula como história, cultura, troca de experiência.

    Interessante matéria sobre o globish. Global+English

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    Posted by admin | Posted in Artigos | Posted on 25-09-2010

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    De Nova York a Babel – Você sabe falar Globish?

    Com 1.500 palavras dá para falar inglês – ou melhor, “Globish” (ou globês, em tradução livre). Esta é a teoria de Jean-Paul Nerriere, ex-diretor de marketing internacional da IBM e idealizador desta nova linguagem, usada por dezenas de milhões de pessoas em todo o mundo, que a utilizam sem perceber.

    Atualmente, 96% das conversas em inglês no mundo envolvem pelo menos um interlocutor que não possui o inglês como primeira línguas. Pode parecer exagero, mas mesmo em países como os Estados Unidos, Inglaterra e Austrália, milhões de habitantes utilizam outra língua como primária. Em outros, como o Canadá e a África do Sul, outros idiomas também são utilizados.

    “Meu sotaque entrega imediatamente que não sou americano, não sou inglês. Sou francês, claro. Mas esta forma de falar não me impediu de me dar bem importantes empregos internacionais. Viajei ao Japão, Coréia do Sul, Ásia para as Américas”, afirma Nerriere, que criou uma empresa para ensinar Globish que também possui como focos americanos e ingleses.

    Dow Jones + Microsft = Globish

    Segundo ele, em manifesto defendendo o Globish, “as pessoas ficavam felizes em fazer negócios comigo porque meu inglês é tão limitado quanto o deles. É mais fácil para falarmos em inglês entre a gente porque temos os mesmos problemas. Mas não problemas diferentes”.

    Robert McCrum, autor do livro “Globish”, que relata a história da transformação do inglês em uma língua global, afirma que as principais transações comerciais do mundo são feitas neste novo idioma. “Dow Jones + Microsoft = Globish”, escreve em seu livro, um dos mais vendidos dos EUA no mês passado.

    O Globish, além de se basear nas 1.500 palavras mais utilizadas do inglês – menos de 0,25% dos vocábulos existentes nos melhores dicionários –, utiliza algumas regras simples. Expressões idiomáticas devem ser evitadas. Elas são desconhecidas de muitas pessoas que estudaram o inglês como segunda língua. É mais fácil substituí-las por palavras comuns (veja quadro).

    Evite piadas a frases longas

    As orações devem sempre priorizar a forma direta e serem curtas. Grandes construções costumam atrapalhar a compreensão. Devem ser evitadas questões na forma negativa, que podem levar a erros. Os estrangeiros precisam sempre se munir de ilustrações para facilitar o entendimento. Piadas são proibidas no Globish. Nem sempre estrangeiros conseguem captar o humor em inglês.

    De acordo com McCrum, os que utilizam o inglês como segunda língua consideram mais fácil falar entre si do que com um americano em inglês. Basicamente, é mais fácil para um israelenses falar em inglês com um finlandês ou um espanhol do que um irlandês ou escocês – neste caso, mesmo os americanos dizem ter dificuldade. A diferença ocorre justamente por eles falarem em Globish, não inglês – as frases são curtas, com palavras básicas e sem expressões idiomáticas, seguindo as regras do francês que idealizou – ou pelo menos colocou no papel – o Globish.

    Oposição

    Nem todos pessoas concordam com esta teoria. “Realmente me sinto mais à vontade conversando com europeus (não britânicos) do que com americanos. Mas acho mais difícil entender asiáticos”, diz o executivo colombiano Mario Chamorro, que foi presidente da Associação de Estudantes da Universidade Columbia, em Nova York.

    “Quando falo com apenas um americano, não acho complicado. Mas quando estou em um grupo, fica difícil seguir as piadas e as expressões”, acrescenta. A brasileira Gisela Piper, casada com um americano, diz achar “mais simples falar com americanos. Prefiro escutar o ator Jeff Bridges falando inglês do que o Javier Barden”.

    O Globish também se mistura a outras línguas, como nota McCrum “Em Mumbai, as pessoas falam uma mistura de híndi, urdu, gujarati, marathi e, finalmente, inglês”, escreve o jornalista inglês em seu livro.

    Hi Kifak Çava

    A classe média libanesa, quase sempre fluente em árabe, francês e inglês, apelidou a língua usada por muitos deles no dia a dia em Beirute como “hi-kifak-çava”, utilizando na mesma frase expressões como “Habib, Je t’aime very much” (“Querida, eu te amo muito”).

    As diferenças entre o inglês e o Globish atingem até mesmo as redes de TV. Os americanos assistem à CNN, com apresentadores nascidos nos EUA, que falam inglês de Dallas, de Atlanta e de Chicago. Na CNN International, a preferência é por estrangeiros que falem inglês. Existem âncoras nascidos na Síria, Irã, Argentina, Quênia e Portugal.

    Caso a pessoa fale apenas o Globish, e não o inglês, ela seria incapaz de entender 55 palavras de um total de 383 do editorial do New York Times desta semana, conforme verifiquei em um software de Globish. Segundo escreveu o jornalista da revista New Yorker Isaac Chotiner, em sua crítica sobre o livro “Globish”, de McCrum, “para muitas pessoas, o Globish não será o bastante. Elas terão que aprender inglês

    Fonte: Blog do Estado de São Paulo, artigo de Gustavo Chacra

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